As contradições que não se contradizem

De cabeça para baixo

Querido pai, ontem fez uma bela noite! O Sol brilhava entre as trevas. E eu, sentado numa pedra de pau, à sombra de uma árvore sem troncos nem galhos, escutava atentamente um mudo a falar consigo aos companheiros: – Prefiro mil vezes a morte à vida… Ao longe, próximo dali, havia um bosque sem árvores. Os pássaros saltavam de galho em galho, e os elefantes descansavam à sombra de um pé de couve. Corri devagar em direcção à minha casa, e entrei pela porta dos fundos que fica na frente. Como já era cedo, deitei o roupa na cama e pendurei-me no cabide, onde, após dormir um bom sono, sonhei que estava acordado. Foi nesse momento que dei marcha a ré e rumei para a casa de banho, onde me serviram o jantar. Depois de ter comido o guardanapo, limpei a boca com o bife, olhei para o lado e vi um cego lendo um jornal religioso sem letras, onde dizia: “Os quatro evangelhos são três: Pedro e Paulo.”

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